Meu namorado Oscar

20.06.2010

Concluímos, namorado e eu, que temos cara de um casal de jovens disponíveis e abertos a novas experiências. Nos últimos tempos, sempre que uma peça tem alguma interação, nós somos os interagitadores. Ontem foi a vez de “Cine Belvedere” (recomendadíssimo, acaba semana que vem); namorado virou Óscar, o noivo imaginado/morto/real? da empregada Pacha. Deu até beijinho – segundo ele, só no rosto porque, apesar das insistências da personagem, ele não parou de pensar que seria um homem morto e solteiro caso acatasse e beijasse na boca.

(É CLARO que a personagem não estava pedindo na boca de verdade, era um noivo que ela imaginava… Enfim. Deixa ele acreditar)

Minutos depois de namorado virar Óscar, a personagem que estava bolinando meu namorado dá um grito e aponta para os meus pés: “UMA BARATA!”. Ai, gente, que piada de mau gosto, e bem comigo. Claro que não tinha barata alguma, mas eu sou doida de não levantar os pezinhos? Não dei escândalo, fui fina. Mas quem disse que eu dormi sossegada depois? Sonhei a noite toda com barata.

Anyway, tudo isso era um pretexto pra dizer que “Cine Belvedere” foi até agora a segunda melhor peça do ano, perdendo apenas para “In On It”. E acaba semana que vem, vocês prestaram atenção nisso? Mais uma informação: são só 16 pessoas no público por sessão. Corram (e mantenham os pés pra cima).

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La Bobera

14.06.2010

(sobre como fazer uma matéria de ciência)

“YARUMAL, Colômbia – Nesta rústica cidade de montanha, uma mulher idosa se viu trocando as fraldas de seus filhos de meia-idade. Em idades assustadoramente precoces, na casa dos 40, quatro filhos de Laura Cuartas começaram a esquecer e a se desintegrar, atacados pelo que as pessoas daqui há muito tempo chamam de “La Bobera”. É uma condição que, em sussurros, se atribui a tudo, desde tocar uma árvore misteriosa até à vingança de um padre enganado.


É o mal de Alzheimer e, aos 82 anos, Cuartas, com seu rosto enrugado muito sério, cuida de três de seus filhos afetados. Um deles, Dario, 55, balbucia palavras incoerentes, rasga suas meias e fraldas e se debate tão vigorosamente que às vezes é amarrado a uma cadeira, só de cuecas.


Uma filha, María Elsy, 61, uma enfermeira que aos 48 começou a esquecer a medicação de seus pacientes e cujos acessos de raiva a fizeram atacar uma irmã que lhe dava banho, é uma concha humana, muda, alimentada por um tubo nasal. Outro filho, Oderis, 50, nega que sua memória esteja morrendo, que ele se lembre de apenas uma coisa de cada vez: leite, leite não, bananas. Ele diz que se tiver Alzheimer vai se envenenar.


Durante gerações, o mal atormenta estas e milhares de outras pessoas entre um grande grupo de parentes: a maior família do mundo que sofre de Alzheimer. Hoje o clã colombiano está no centro de um ataque potencialmente inovador contra a doença, um plano para ver se a aplicação de um tratamento antes do início da demência é capaz de evitá-la totalmente.”

Continua

Quem não é assinante da Folha/Uol pode ler aqui – nesse link também tem um vídeo com a família.


Frila revival

14.06.2010

Há mais ou menos uma semana eu saí na revista AG, do jornal A Gazeta, de Vitória. Meu amigo Vitor de Vitória (eu sempre falo “Sabe o Vitor de Vitória?”, todo mundo já sabe qual Vitor é, mas eu sempre falo mesmo assim) leu aquele post da vida de frila e comentou com uma editora do jornal – ele ainda trabalhava lá -, e ela gostou e achou que rendia uma pauta. E aí, ao invés de me passarem o frila, me fizeram de entrevistada, rs.

E eu sou um box, gente, com o título “Nem tudo são flores”. Achei muito pertinente, flor e eu, pessimismo e eu, pegaram o espírito da coisa.

Anyway, hoje a flor tá de volta, e contrariando o mandamento do frila: to em casa escrevendo uma matéria, de pijamão e com o cobertor por cima das pernas. Depois de um ótimo café, lendo jornal com calma.

Boa semana para vocês também.


Jogos de futebol são como as histórias de amor?

09.06.2010

(em homenagem à linha editorial do Blog das Perguntas)

“Eles compõem um retrato, mesmo que aproximativo, e que consiste afinal numa versão, entre as que seriam possíveis, dos acontecimentos. Considerados de uma maneira genérica, eles descrevem – nem que seja estatisticamente – os fatos, incluindo muitas vezes aquela margem dúbia entre ‘o que poderia ter sido’, e que tem de ser vencida, além do adversário, antes de selados inapelavelmente pelo sacrifício final – o gume duplo que separa vencidos e vencedores, dando a uns uma cota de corte no desejo e a outros a imantação mítica, mas provisória, da investidura num status superior, que se quer total. O apito final, como a morte, sela o sentido do acontecimento, mas sem sossegar necessariamente as virtualidades que o jogo desencadeia, as promessas que ele quase realizou, a multidão de alternativas que ele desenha.”

trecho de Veneno Remédio – O Futebol e o Brasil, de José Miguel Wisnik


Keep the pills

07.06.2010

postagem do Grupo Corpo no Facebook:

“Lecuona venceu a votação com 42,4% dos votos. Muito obrigado a todos que participaram. Turnê brasileira: Ímã + Lecuona #grupocorpo”

Ufa.


O Rio ri

07.06.2010

Sempre que eu vou ao Rio eu me lembro de que a vida é mais do que um dia depois do outro. No Rio as pessoas riem.

(sem contar o chorinho, a praça, a praia, os corpos à mostra, as pernas torneadas, o caminhar devagar pela calçada…)


Pareceres de Twitter

04.06.2010

O teatro do Sesc Santana tem um cheiro que parece muito cheiro de bola de tênis nova.

A cenografia de “Um navio no espaço ou Ana Cristina Cesar”, no teatro do Sesc Santana até domingo, parece muito a cenografia de “Strindbergman”, que esteve no teatro do Espaço Viga.

A peça “Um navio no espaço ou Ana Cristina Cesar” não parece muito aquilo que propagandeiam como “Um navio no espaço ou Ana Cristina Cesar”, uma peça com Paulo José.

Parece que o cheiro de bola de tênis mais o didatismo do texto mais a interpretação da Ana Kutner mais o sumiço do Paulo José me fizeram querer sair correndo de Santana.

Fica até domingo, mas parece que eu não estou recomendando.