In On It reestreia

Raramente assisto duas vezes o mesmo filme. Às vezes acontece de passar na televisão, e eu vejo, ou de eu ficar obcecada por algum detalhe, aí eu vejo mesmo. Mas é raro. Peça de teatro, então, são poucas aquelas a que eu quis voltar. “Rainhas”, da Cibele Forjaz (já mencionada), é uma delas, e eu não voltei, porque os ingressos estavam sempre esgotados, porque depois tinha muita coisa nova pra assistir, depois…

Mas eu revi duas: “Vaca de nariz sutil”, no Parlapatões, e “Noite dos palhaços mudos”, primeiro no Parlapatões e depois no Memorial, na mostra de cinema latino-americano. Não que eu tenha amado “Vaca…”; da primeira vez gostei, achei interessante, e depois o namorado quis ver, eu acompanhei. E na segunda vez estava muito diferente, final de temporada, atores trocados, um certo relaxo, gritaria de mais, cuidado de menos. Já “Noite…” estava idêntica, ou assim me pareceu. Talvez por ser tão coreografada, não houvesse tanto espaço para mudança de tempos; talvez por quase não haver falar, não fosse possível mudar tanto o tom da coisa. Anyway, adorei as duas vezes, embora a primeira tenha sido mais impressionante porque o palco menor combinava mais com o espetáculo.

Assim que saí da sala, neste ano, de “Simplesmente Eu – Clarice Lispector”, no CCBB do Rio, e do teatro da Faap, depois de “In On It”, eu decidi que precisava rever as duas. A primeira porque eu fiquei muito emocionada e impressionada quando assisti e eu quero ter essa sensação de novo; a segunda porque eu precisava rever tudo desde o início sabendo como seria o final. Para prestar atenção nos detalhes do texto.

Pois ontem “In On It” reestreou aqui em São Paulo, agora no teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. A produção liberou mais ingressos em cima da hora e eu consegui o meu quando ia até a bilheteria sem esperanças confirmar que estava mesmo lotado. Eu não sabia ainda que eles tinham ido para Jundiaí, se apresentar no enorme Polytheama; o palco da Faap me parecia grande demais para tanta intimidade, e eu estava ansiosa para vê-los no Eva Herz, mais aconchegante.

Da segunda vez, eu acho, fica melhor. Mas de um jeito diferente. Porque quem vê primeiro aplaude quando não tem que aplaudir e as surpresas são deliciosas; eu ri muito e chorei dolorido no final, sofri, sofri. A última cena é um susto; na verdade, tudo que acontece depois do momento em que não se “deve” aplaudir é muito forte. Posso contar só um pedacinho? Eles dançam juntos e dói demais assistir. E eu que sempre tive medo das despedidas banais, “tchau, até daqui a pouco”, do beijo mal dado porque logo o outro está de volta, do tchauzinho pela janela que pode ser o último… É, dói.

Mas, como eu dizia, da segunda vez… Não deixa de doer, mas você já sabe que vai machucar e quase se protege. Eu prestei mais atenção ao começo da peça e aos elementos que iam sendo jogados, é incrível, volta tudo ao final, costuradinho, com sentidos, mais forte. Tá, todo mundo já sabe que o texto da peça é excelente (alguém sabe onde eu posso conseguir o texto dessa peça? Por favor?), e o Fernando Eiras e o Emilio de Mello são precisos. E todo mundo ri, e todo mundo sabe quando ficar quieto. O palco menor ajuda nas cenas mais intimistas, deu certo; mas o namorado observou que outras perderam um pouco a força que tinham. A cena do beisebol, por exemplo, era mais interessante no palco grande, com as grandes distâncias. O final também, Eiras sozinhozíssimo lá no meio. Não sei se foi erro da iluminação ou se mudaram esse final, mas o blackout demorou mais dessa vez e, para mim, a cena ficou mais sutil. Eu puxei os aplausos.

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