Acontecimento

Você não está com saudade do Sesc Pompeia?, o namorado me perguntou ontem. Eu estou. Passamos lá o último final de semana, na maratona teatral d’“O Idiota”, e agora não sei mais ficar sem os tijolinhos de toda noite. Mas logo resolvo: amanhã estreia “Máquina de Abraçar”, sobre uma médica que cuida de uma paciente autista. O texto é do espanhol José Sanchis Sinisterra e foi criado a partir de uma entrevista que uma autista deu para Oliver Sacks (no livro “O Antropólogo em Marte”). A Barbara Heliodora elogiou bastante (“É um espetáculo lindo, emocionante, de alta categoria, com uma interpretação que apresenta imensas dificuldades sendo executada de modo exemplar”). E tem a Mariana Lima fazendo a autista – acreditam que nunca vi nada com ela?

Mas, então, “O Idiota”.

O Luiz Fernando Ramos, da Folha, diz que a peça se candidata a grande acontecimento teatral do ano. Eu concordo, acho; ainda que não tenha sido arrebatador, para mim, como foi “Rainhas”, outro da Cibele Forjaz, gostei bastante do conjunto. Um pouco mais, um pouco menos de algumas interpretações; razoavelmente das músicas que eles cantam. Mas e cenário e iluminação?

Foto: Lenise Pinheiro, do blog Cacilda.

A adaptação, fiquei sabendo, é do Aury Porto, que vive o idiota da peça, o príncipe Míchkin. A ação é toda centrada nele, nas relações que ele desenvolve com amigos, parentes e amadas. Segundo dizem, foi preciso dois anos para condensar personagens e histórias das centenas de páginas em sete horas de espetáculo (divididas em três horas na primeira parte e duas horas em cada uma das outras duas). E as doze cenas vão acontecendo em ambientes diferentes do galpão do Sesc Pompeia.

Assim: logo depois que os atores se trocam e maquiam na entrada, sob o olhar do público, sentamos em cadeiras dispostas em cruz, que compõem os vagões do trem onde se conhecem alguns dos personagens. Segue uma procissão, que dá a volta no galpão para terminar na casa da prima do protagonista, do outro lado do galpão; a sala em que eles se encontram é decorada por um tapete de açúcar (ou era areia branca? Acho que era açúcar) onde acontece uma das cenas mais bonitas dessas primeiras três horas. Depois se aproxima, sobre rodinhas, a casa em que Míchkin ficará hospedado, e terminamos em outra sala, para a cena final. E isso é só a primeira parte.

A iluminação (de Alessandra Domingues) valoriza ainda mais a cenografia (de Laura Vinci), principalmente nos jogos que a luz faz com os vazios – das estampas das toalhas, do vão entre os fios de uma cortina. Os embates nos corredores cheios d’água e o confronto no trepa-trepa (parte 3) emocionaram bastante gente; as cenas de cantoria são especialmente bonitas (e me fazem pensar que a Cibele depurou Zé Celso); a casinha pegando fogo, no final da primeira parte, é linda, linda.

Foto: Lenise Pinheiro, do blog Cacilda.

Mas, no final da saga, fiquei um pouco triste.

Porque não encontraria mais aqueles personagens (ficamos íntimos, claro, três dias seguidos!), não voltaria ao Sesc toda noite. E principalmente porque eu sei que vai ser difícil encontrar espetáculos tão redondinhos por aí. E olha que a gente procura.

(Mais fotos: na Galeria de imagens da Bravo)

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2 Responses to Acontecimento

  1. monumentoestupido disse:

    Eu assisti o Máquina de Abraçar. :D Vi aqui no rio em um espaço sensacional DENTRO do jardim botânico. um antigo armazém, tipo um galpão, sabe… algo assim. Assisti com a paulinha, inclusive. MUITO bom! recomendadíssimo!

  2. monumentoestupido disse:

    só uma coisa: não respeito as críticas da barbara heliodora não… :p

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