O essencial

Estreia hoje em São Paulo “Simplesmente eu, Clarice Lispector”, monólogo da Beth Goulart no papel da escritora. A Beth acaba de ganhar o Shell de melhor atriz, no Rio, por essa peça, e isso não é de se estranhar: ela está excelente, e não só por se parecer tanto fisicamente com a Clarice.

Eu tinha muito medo de me deparar com significados da obra de Clarice que se aproximassem da exposição que o Museu da Língua Portuguesa fez sobre ela: o escuro, o difícil, os véus. E essa foi a surpresa extremamente positiva. Foi a própria Beth que fez a dramaturgia, entrelaçando aspectos biográficos, trechos significativos da obra e a famosa entrevista concedida à TV Cultura pouco antes de sua morte. E ela entende muito de Clarice, a gente sente: fala do feminino, de deus, do cru, de escrever. De tal maneira que é quase uma apresentação à obra da Clarice, o que pode ser que aproxime muita gente dos seus escritos – aquelas pessoas que dizem não serem tocadas pelos textos, ou até quem considera tudo muito difícil.

Por outro lado, a semelhança física é tão impressionante, que por alguns momentos eu quis me deixar enganar, e fiquei acreditando que era ela, ali na minha frente, como nunca seria possível que acontecesse. Foi deliberado e, ainda assim, emocionante. E eu chorei.

Acho que todo mundo precisa ver essa peça. Eu quero que todo mundo veja e me conte o que sentiu. Eu não sei ainda definir muito bem, mas vou assistir de novo e pensar, e sentir, e escrever aqui. Vai ser difícil. Mas vale muito a experiência.

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