Lista: esse ano eu vi

Balanço do primeiro trimestre

Cinema

O primeiro do ano foi É Proibido Fumar (de que eu gostei. Amar, mesmo, só quando aparece o Lourenço Mutarelli: “Eu não tenho olfato”). Depois vieram aqueles que teriam merecido o baldinho de pipoca e o refrigerante grande: Sherlock Holmes e Amor Sem Escalas. Invictus também entra nessa categoria. Onde Vivem os Monstros é fofinho, e só. A Garota Ideal, em DVD, salvou o começo do ano.

Depois teve A Fita Branca (de que eu gostei muito, só não demais porque eu preferiria que o Haneke não tivesse partido daquela ideia do nazismo etc – o filme me parece melhor sem isso), em seguida O Segredo dos Seus Olhos (do qual só não entendi aquela maquiagem bizarra no final) e Um Homem Sério (e não tem jeito, eu não gosto mesmo dos Coen). Para completar a temporada, A Ilha do Medo e Soul Kitchen. Pouca coisa arrebatadora no meu começo de ano.

TV

O primeirão também foi nacional: Programa Piloto, com a Andrea Beltrão, a Fernanda Torres e o Alexandre Borges, na Grobo. Parece que virá uma temporada, estou aguardando. Então houve a overdose de enlatados americanos: The Prisoner (vi tudo em uma dia só, e não gostei do final, como muita gente), House (quando eles resolvem fazer mais episódios), com destaque para o episódio “5 to 9”, e Grey’s Anatomy, sobre o qual já falei (até demais) ontem. Pelo menos to praticando meu inglês, vai?Acho que Globo de Ouro e Oscar podem entrar ainda nessa parte dos enlatados gringos; quanto à produção nacional, vale destacar as noites de suicídio simbólico no sofá: novela, big brother, cerveja e esfihas. Não foi bom, claro, mas pelo menos eu estava um pouco bêbada.

Artes Plásticas

A conclusão antecipada é que eu estou insistindo, embora não obtenha resultados imediatos. Isso deve ser bom, não? Primeiro Amilcar de Castro no C. Cultural da Caixa, no Conjunto Nacional. Foi a primeira vez do ano em que eu, mais uma vez, confessei a mim mesma em silêncio: Mariana, admita que você nunca vai entender as artes plásticas.

Na exposição no Mosteiro de São Bento, a confissão ficou mais religiosa, como era de se esperar: por que além de não entender de artes plásticas, eu não acredito em deus? Me pareceu que o mundo seria mais simples. Não tive pensamentos profanos na exposição do Chagall no Masp, nem observando as litografias para a bíblia que ele fez. A única conclusão foi de que minha capacidade de apreciação de artes plásticas ficou estancada no meio do século. Com exceção da parte de design: vi a exposição no CCBB e entendi, claro, ainda que essa parte do mundo seja classificada na parte utilitarista dos meus compartimentos cerebrais. Eu prometo melhorar no próximo trimestre: deve ter Warhol e Oiticica, o que em si já parece bom. Né?

Teatro

O julgamento deve levar em conta que a seleção não é feita necessariamente com base no que eu gostaria de assistir; muitas vezes ela foi pautada por objetivos profissionais do meu cônjuge. Dito isso: comecei com Loba de Ray-Ban e não foi bom. Nada bom. Depois veio Hilda Hilst – O Espírito da Coisa, que, longe de ser ruim, como a anterior, também não me empolgou muito (gostei de algumas marcações, algumas confusões entre histórias). Eu tenho problemas com teatro que fala de literatura. Essa foi uma parte da questão em Concerto de Ispinho e Fulô, que é caprichada, os atores cantam bem, eu bebi a cajuína e a pinguinha que me serviram, o público gostou… Mas. Um problema que eu acho grave é que a peça parece ter surgido de um processo colaborativo que, aparentemente, não contou com alguém hierarquicamente superior que dissesse: tudo bem, galera, agora acabou a brincadeira e vamos montar um texto com começo, meio e fim. Já Corte Seco tinha uma mão pesada e explícita da diretora. Muito, muito interessante, mas não sei se pra todo mundo. Como eu adoro bastidores de teatro, gostei muito de algumas viagens.

Mas, desculpem, não consigo comprar aquela ideia de improvisações da diretora e possibilidades de novas leituras com mudanças de ordem de cena. Fico com a opinião de quem vê na Jatahy uma pequena ditadorazinha brincando de interromper os atores, que fazem o trabalho duro (Saiu uma crítica interessante no Estadão, no meio de março). Pretendo assistir outras vezes, se possível. O prêmio de melhor peça do trimestre fica com In On It, que não foi uma escolha pautada por objetivos profissionais, que me fez chorar, que me fez rir, que me fez querer voltar pra escola de teatro… A falha do período é não ter conseguido ir ao Festival de Curitiba, como eu tinha programado desde o ano passado. A perspectiva para os meses vindouros são Antunes, Felipe Hirsch, Beth Goulart, quem sabe Aderbal Freire-Filho, In On It de novo, se houver possibilidade.

Música

Editoria frouxa: tudo que aconteceu foi uma apresentação da Jazz Sinfônica, de que eu gostei. Mas eu não entendo nada de música, o que se comprovou pela minha pequena frustração com os violinos, violas, cellos e contrabaixos relegados a um plano de meros fazedores de barulhinhos de fundo. Eu sei, era jazz, sopro e percussão, mas, poxa.

Livros

Comecei devagar, o que seria preocupante se eu tivesse uma quantidade anual mínima a ser atingida. Os que li impressos e por vontade própria e pessoal foram A Paixão Segundo GH (foi uma segunda leitura), Flores, de Mario Bellatin (Achei divertido, até. Ele tem um controle muito grande da narrativa, e eu gosto disso, e admiro, e fico observando como se faz para aprender), O legado de Ezster, mais uma vez eu amei Sándor Márai. No curso de Criação Literária, que começou em março, li alguns contos – uns que eu já conhecia, outros inéditos e interessantes. Para trabalho, impressos em papel A3 ou na tela do computador, li uma biografia sobre jogador de futebol, retrospectiva de um artista da geração 80, livro sobre arte mexicana, livro de arquitetura, livro de poesias portuguesas, livro de fotógrafo francês. Todos ainda inéditos, devem sair nos próximos meses. Também li A Viagem vertical, do Enrique Vila-Matas, em papel A3 mas já nas ruas, e 1968 – O Ano que Não Terminou, do Zuenir Ventura, impresso e comprado em livraria e ainda não completado. Ah, e uma pancada de textos sobre teatro. Em andamento, tenho Austerlitz e Uma Tarde destas, do José Roberto Melhem. No planejamento, Coração Apertado, da Marie Ndiaye, e Fernando Pessoa – A Resposta à Decadência, do Haquira Osakabe.

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2 Responses to Lista: esse ano eu vi

  1. Mari,
    Eu vi Soul Kitchen semana passada. Gosto tanto do Fatih Akin, mas tenho a sensação de que ele está se movendo em uma parábola… Apesar de ter rido bastante, considero o filme muito mais uma decorrência de “Im Juli” que de “Do outro lado”…
    Mas vim aqui por outros motivos: 1. para implicar com a peça sobre a Hilda Hilst, que detestei; 2. para perguntar se você já leu “Danúbio”, do Claudio Magris. Ainda estou no primeiro quarto do livro, mas tenho a sensação de que você gostaria dele.
    Um beijo

  2. mariana disse:

    Pois é, “Soul Kitchen”… Eu não gostei. Só tinha visto o “Do Outro Lado” dele e adorado. Mas dessa vez não rolou. A peça da Hilda Hilst também não rolou. Eu sempre acho que é muita amargura minha, que eu preciso ser mais generosa. Mas não rolou mesmo. E o “Danúbio”, puxa vida. Um amigo me indicou no ano passado, eu comprei e comecei a ler. É bem difícil, não? Parei porque estava numa fase desconcentrada, mas quero ter forças pra voltar.

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